Por: Cidya Souza
A promessa de uma nova creche na Agrovila 16, na zona rural de Carinhanha, no oeste da Bahia, surge como um raio de esperança para a comunidade. Anunciada como uma parceria entre o Governo Federal e o município, a obra tem o objetivo de ampliar o acesso à educação infantil e oferecer um ambiente de aprendizado adequado para as crianças. A prefeitura exalta o investimento, destacando que “investir na educação das nossas crianças é investir no futuro da comunidade” e prevê geração de emprego e renda.
Mas, por trás desse anúncio otimista, um cenário desolador se esconde. Enquanto uma nova creche é prometida, a realidade de outras comunidades rurais do município é de abandono e descaso. Na Agrovila 23, vizinha à 16, uma escola em tempo integral, anunciada como um marco para a região, jaz em ruínas há mais de 13 anos. Paredes rachadas, telhado caído e mato tomando conta do que deveria ser um espaço de aprendizado e desenvolvimento para centenas de crianças. Um elefante branco, construído com recursos públicos, que se tornou símbolo do desperdício e da ineficiência.

A obra da creche no Bairro São Francisco se arrasta há mais de uma década, abandonada e resumida a promessas de recomeço. Atualmente, o andamento é a passos de tartaruga, evidenciando o descaso com a comunidade.
E o descaso não para por aí. A poucos quilômetros dali, na própria Agrovila 16, outra creche, com características semelhantes à que agora é anunciada, está parada há mais de uma década. Uma obra que começou, recebeu recursos, mas que, por motivos nunca totalmente esclarecidos, ficou inacabada, deixando famílias e crianças sem o atendimento prometido. O que aconteceu com os milhões que deveriam ter sido investidos nessas unidades? Para onde foram os recursos federais e estaduais que deveriam garantir o direito à educação de qualidade para todos?

Obra da escola da Agrovila 23 abandonada há mais de 11 anos. Iniciada também na gestão do PT
A pergunta que fica é: qual o propósito de anunciar e iniciar novas obras quando projetos essenciais, que poderiam transformar a vida de milhares de crianças e famílias, permanecem inacabados e esquecidos? A gestão municipal, que ostenta a bandeira de um modelo de administração que, segundo críticos, se repete em outros municípios governados por aliados, parece priorizar a inauguração de novas obras em detrimento da conclusão das já existentes. Um ciclo vicioso de promessas e recursos federais e estaduais que chegam, mas que, em muitos casos, se perdem no caminho, deixando um rastro de obras inacabadas e comunidades frustradas.
Enquanto a nova creche da Agrovila 16 é divulgada como um avanço, a realidade de outras escolas e creches abandonadas em Carinhanha levanta sérias dúvidas sobre a eficiência e a seriedade da gestão pública. O que a comunidade espera é a conclusão das obras que já deveriam estar em funcionamento, garantindo que o dinheiro público seja, de fato, investido no futuro das crianças e não em projetos que se tornam monumentos ao descaso.
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Redação: cidya Souza: Farejando Notícias