Ao Vivo: Rádio Oeste FM
Rádio
Oeste
URGENTE

Feira da Mata: A Agonia da Espera – Adolescente Morta Permanece Exposta por Horas, Humilhada pela Demora do DPT.

Publicado em setembro 21, 2025 | Categoria: Feira da Mata

Por: Cidya Souza

Feira da Mata, Bahia – Em um mundo que parece desabar em descaso e desumanidade, a tragédia que se abateu sobre o Distrito do Ramalho, em Feira da Mata, no último sábado, 20 de setembro de 2025, é um soco no estômago da nossa já tão fragilizada consciência coletiva. Não foi apenas um acidente; foi um espelho cruel da falência de um sistema que, mesmo diante da morte mais inocente, demonstra uma frieza estarrecedora.

Por volta das 12h45, a vida de uma adolescente de apenas 12 anos foi brutalmente interrompida na Avenida Principal do Ramalho. Ela e uma amiga, também de 12 anos, trafegavam em uma motocicleta quando colidiram com um caminhão-tanque carregado de leite. A fatalidade foi instantânea para uma delas. Uma vida jovem, cheia de sonhos e promessas, silenciada em um instante.

Mas o horror não parou aí. O que se seguiu não foi o alívio da dignidade, mas a humilhação de um corpo inerte exposto sob o sol impiedoso. Por horas, e enfatizamos: **HORAS**, o corpo da menina permaneceu no local do acidente, à vista de todos, à espera do Departamento de Polícia Técnica (DPT). Horas de dor para a família, horas de trauma para a comunidade, horas de vergonha para uma sociedade que se diz civilizada.

Que tipo de “fim do mundo” é este que nos permite assistir a uma cena tão desoladora sem que providências básicas sejam tomadas? Que tipo de “fim dos tempos” é este onde a burocracia e a ineficiência valem mais do que o respeito a uma vida ceifada e a um luto dilacerante?

Este não é um caso isolado. É um sintoma. Um sintoma de um sistema que falha em proteger seus cidadãos em vida e que os desrespeita até na morte. Enquanto a dor da família se espalhava pelo ar, a espera agonizante pelo DPT se transformava em um atestado de abandono. Onde estavam as prioridades? Onde está a agilidade que se espera de órgãos públicos em momentos de tamanha urgência e sensibilidade?

A imagem daquela jovem, ali, desamparada, é um grito mudo que ecoa em nossos corações. É um tapa na cara das autoridades, um lembrete cruel de que, em muitos cantos do nosso Brasil, a vida humana parece ter um valor inversamente proporcional à eficiência do Estado.

Que esta tragédia, este descaso revoltante, sirva não apenas para lamentar, mas para exigir. Exigir que a vida, mesmo após o último suspiro, seja tratada com a dignidade que merece. Que a memória desta adolescente não seja apenas a de uma vítima de um acidente, mas de uma vítima de um sistema que precisa, urgentemente, ser questionado e transformado. Chega de silêncio, chega de aceitação. O clamor por respeito e humanidade não pode mais ser ignorado.

www.radiooeste.com.br

Redação:Cydia Souza: Farejando Notícias