Em Carinhanha, o ar das recentes eleições internas do Partido dos Trabalhadores (PT) ainda carrega o cheiro da disputa e, para alguns, a doce fragrância da vitória. No entanto, por trás dos sorrisos e dos abraços de congratulação, paira uma ilusão perigosa: a de que o sucesso de Chica em 2024 foi fruto exclusivo de mérito próprio, ignorando a peça-chave que, ironicamente, sempre foi vista como o principal algoz político do partido: Piau.

É fundamental que o novo diretório petista composto por dez nomes e liderado pelo experiente Álvaro Ferraz, entenda que a vitória de Francisca Alves (Chica) não foi uma unanimidade construída apenas em seus próprios méritos. Pelo contrário, os 2.331 votos que Piau (Geraldo Pereira Costa) obteve, representando 12,59% do total e garantindo-lhe a terceira posição, foram um divisor de águas crucial. Sem a presença de Piau na disputa, esses votos, que demonstraram uma base de apoio significativa, poderiam ter migrado em sua maioria para Léo do Luana, que com 38,21% dos votos válidos, ficou em segundo lugar, a apenas 1.667 votos da vencedora Chica, que alcançou 47,22%.
Ou seja, a conta é simples: Chica venceu sem obter a maioria absoluta dos votos válidos. A sua vitória foi construída sobre a fragmentação do eleitorado, e a ausência de Piau na corrida eleitoral foi o fator determinante para que essa fragmentação beneficiasse a atual gestão. A reflexão que precisa ser feita é: o que teria acontecido se Piau não estivesse na disputa? É muito provável que Léo do Luana, com uma base eleitoral mais consolidada e um discurso que dialoga com uma parcela maior do eleitorado, tivesse sido o novo gestor.
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É preciso que a nova diretoria do PT em Carinhanha “coloque a barba de molho”. A ideia de superioridade, cultivada por alguns, é um terreno perigoso que pode levar à complacência. A atual gestão precisa entender que a vitória de Chica não foi um cheque em branco para a continuidade de estratégias que não consideram a força e o potencial de outros grupos políticos. O que se observa é uma persistência na crença de que o partido, por si só, garante o sucesso, sem a necessidade de uma articulação mais ampla e inclusiva.
A pergunta que fica é: o que será feito para que os 2.331 votos de Piau se sintam representados e se integrem ao “modus operandi” petista nas próximas eleições? Como atrair essa massa de eleitores para sufragar o voto no candidato escolhido pelo PT, especialmente considerando que a atual mandatária não poderá concorrer a um terceiro mandato consecutivo?
A inteligência e a capacidade de reflexão devem guiar os próximos passos. É hora de abandonar a arrogância e buscar uma nova estratégia, que reconheça a importância de cada voto e de cada corrente interna. A força do PT em Carinhanha reside na sua capacidade de aglutinar diferentes setores e de construir um projeto político que contemple as diversas aspirações da comunidade. Ignorar a influência de figuras como Piau e a dinâmica eleitoral que permitiu a vitória de Chica é um erro que pode custar caro nas próximas disputas.
A diretoria que será constituída terá a oportunidade de ouro para fazer diferente, para construir um sucessor que realmente represente os anseios da maioria. Que esta reflexão sirva como um chamado à ação, um convite para que todos os petistas e demais eleitores de Carinhanha pensem criticamente sobre o caminho a ser trilhado, garantindo um futuro mais promissor e representativo para a cidade.
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Redação:Cidya Souza: Farejando notícias