Carinhanha, Bahia – 26 de julho de 2025 – Em um debate acalorado que se estendeu por horas em um grupo de WhatsApp neste Sábado atarde, as entranhas do sistema de proteção à criança e ao adolescente em Carinhanha foram expostas. Em meio à discussão, ex-conselheiros tutelares defenderam a atuação da instituição, enquanto policiais militares e alguns cidadãos civis criticaram a postura de outros membros do Conselho Tutelar, que, mesmo diante de situações flagrantes de vulnerabilidade, parecem ter esquecido que, além da letra da lei, existe o fator humano: a empatia.
O estopim da discussão foi a lamentável recusa do Conselho Tutelar em oferecer suporte a duas crianças que necessitavam de acompanhamento para formalizar um abuso. Embora alguns argumentem que a ação não estaria estritamente dentro das “obrigações legais” da instituição, a falta de um gesto de solidariedade e acolhimento em um momento tão delicado para os menores soa como um eco vazio de humanidade. Afinal, para que serve um órgão eleito pela comunidade, guardião do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), se não para zelar pelo bem-estar integral dos nossos jovens?

O cidadão nos EUA( cristiano) apelava por auxílio prático; o ex- conselheiro respondia com a versão digital da lei.
A frustração ecoou nas falas de policiais militares que, em meio a burocracias e à ausência de apoio institucional, se desdobraram para garantir a proteção dos menores. Eles testemunharam em primeira mão a necessidade de ação e a falta de sensibilidade por parte daqueles que deveriam ser os primeiros a estender a mão. Um cidadão de Carinhanha (Cristiano), que reside nos Estados Unidos e acompanha de perto a realidade de sua cidade natal, expressou seu descontentamento com a postura da instituição. Sua tentativa de agir em conformidade com o que compete ao Conselho, mas sem encontrar receptividade, gerou um embate virtual. A resposta recebida foi um encadernado em PDF, um compêndio de artigos do ECA, como se a leitura fria da lei pudesse justificar a ausência de um olhar empático para o sofrimento alheio.

Policial X Ex- conselheiro tutelar: Respeito mútuo, mas visões opostas: a lei contra a empatia.
A troca de mensagens revelou a profunda decepção de quem vê os princípios do ECA serem interpretados de forma tão restrita e desprovida de compaixão. Em um momento crucial, quando o apoio do Conselho Tutelar seria um alento, a instituição optou por se resguardar em um “não é minha obrigação”, ignorando o clamor por auxílio e a responsabilidade moral que emana de sua função.

Mensagem de um Familiar das crianças: Gratidão ao Policial: “A empatia que o Conselho não ofereceu” diz.
Para coroar a discussão e evidenciar a lacuna deixada pelo Conselho Tutelar, um print de uma mensagem enviada por um familiar a um policial viralizou no grupo. Nela, o agradecimento emocionado ao profissional pelo trabalho realizado na proteção de um menor, em um cenário de ausência dos “guardiões do ECA”, ressalta a importância da ação proativa e do senso de dever que, infelizmente, parece faltar a alguns membros da instituição.

Outro Policial de Carinhanha no debate: “Menos lei, mais alma: a urgência do lado humano” diz .
O debate em Carinhanha não é apenas sobre o cumprimento de artigos de lei, mas sobre a essência do que significa proteger e amparar. É um chamado à reflexão para que os conselheiros tutelares lembrem que foram eleitos pela comunidade para serem mais do que meros burocratas do ECA, mas sim seres humanos com a capacidade e o dever de exercer a empatia. A comunidade espera que essa discussão sirva de alerta para que a proteção das crianças e adolescentes de Carinhanha seja pautada não apenas pela obediência à lei, mas, acima de tudo, pelo coração.
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Redação: Cidya Souza: Farejando Notícias