A suspeita de que indivíduos que nunca exerceram a pesca profissional estejam recebendo indevidamente o seguro defeso em Carinhanha lança uma sombra sobre a credibilidade do benefício e prejudica os pescadores que realmente dependem dessa renda para sobreviver. A falta de fiscalização rigorosa e de dados precisos agrava o problema, demandando ações urgentes de controle.

O seguro defeso, um direito fundamental dos pescadores profissionais durante o período de reprodução das espécies aquáticas, tem como objetivo garantir a subsistência dessas famílias quando a atividade pesqueira é temporariamente suspensa. No entanto, em Carinhanha, como em diversas outras localidades do país, paira a grave preocupação de que o benefício esteja sendo acessado por pessoas que nunca sequer pisaram em uma embarcação para pescar.

Essa situação, embora difícil de quantificar com precisão devido à falta de dados oficiais detalhados em nível municipal, representa um **desvio ético e financeiro inaceitável.** Pescadores que dedicam suas vidas à pesca artesanal e que enfrentam as dificuldades inerentes a essa profissão, muitas vezes dependem do seguro defeso para complementar sua renda ou garantir o sustento durante os períodos de defeso. Quando indivíduos sem vínculo real com a atividade se apropriam desses recursos, eles não apenas lesam os cofres públicos, mas também desrespeitam o trabalho árduo e a dedicação dos pescadores de verdade.
**A Falta de Controle: Um Convite à Fraude**
A dificuldade em obter um número exato de quem recebe o seguro defeso em Carinhanha e a ausência de dados sobre embarcações registradas criam um ambiente onde a fraude pode prosperar. Sem um cadastro rigoroso que cruze informações sobre o exercício efetivo da pesca, o vínculo com colônias de pescadores ou cooperativas, e a posse ou utilização de embarcações, torna-se mais fácil para pessoas mal-intencionadas se beneficiarem indevidamente.
Essa fragilidade no sistema de controle **deslegitima o seguro defeso** e pode gerar um clima de desconfiança, onde os próprios pescadores honestos questionam a justiça do benefício. Além disso, desvia recursos que poderiam ser investidos em ações de fomento à pesca sustentável, em capacitação para os pescadores ou em melhorias para as comunidades pesqueiras.
**O Que Precisa Ser Feito?**
É crucial que os órgãos responsáveis pela gestão do seguro defeso, em conjunto com as autoridades locais de pesca e fiscalização, intensifiquem os mecanismos de controle e verificação. Isso inclui:
* **Auditorias Periódicas:** Realizar auditorias regulares nos cadastros de beneficiários, cruzando informações com registros de atividade pesqueira, filiação a entidades de classe e outras bases de dados relevantes.
* **Fiscalização em Campo:** Intensificar a fiscalização durante os períodos de defeso para verificar quem está, de fato, exercendo a pesca profissional.
* **Fortalecimento do Cadastro:** Trabalhar para que os cadastros de pescadores e embarcações sejam mais completos, atualizados e integrados, permitindo um monitoramento mais eficaz.
* **Denúncias e Canais de Comunicação:** Criar e divulgar canais seguros para que pescadores e cidadãos possam denunciar casos suspeitos de fraude no recebimento do seguro defeso.
A questão dos “pescadores fantasmas” que recebem o seguro defeso em Carinhanha é um problema sério que exige atenção imediata. Proteger a integridade do benefício e garantir que ele chegue a quem realmente trabalha e depende da pesca é um dever de todos.
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Redação: Cidya Souza: Farejando notícias